Marcelo Roque - Nasci e cresci na cidade de São Paulo, onde vivo até hoje. Trabalho como vendedor, porém, costumo dizer que meu real ofício, é a poesia.

Poesia, aliás, que entrou em minha vida, meio que por acaso, mas, não por acaso permaneceu.

Faço parte do Núcleo José Reis de Divulgação Científica, ligado a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, onde participei de dois livros lançados, respectivamente, nos anos de 2008( História Viva) e 2009(Olhares)
Haiti - Fleur D'espérance

Há de nascer uma flor,
eu sei que há
Destas flores dos impossíveis lugares,
e das improváveis cores
Há de nascer uma flor,
eu sei que há
Destas, que de tão belas,
nos fogem aos olhos,
mas nunca ao coração
Uma flor em meio aos escombros
da mais bruta dor que se possa sentir
De inabalável perfume,
e infinitas primaveras
E que trará consigo,
em cada uma de suas pétalas,
o mesmo sangue das asas do amor ...
Há de nascer esta flor,
eu sei que há ...

Marcelo Roque



Cúmplice

Não quero um alguém que me complete,
posto, que não sou meio
E nem que me venha com coisas suas,
como se minhas, fossem também
Eu quero alguém que me provoque,
me tire o sono,
e me atice o verso
Um alguém que entenda
que é no auge do desassossego,
que reside a verdadeira paz
E que não tenha medo
de adentrar comigo no seio das madrugadas,
e se preciso for, morrer ao meu lado,
ainda que aos pés do alvorecer
E acima de tudo,
e das coisas já mortas,
eu quero um alguém, para me fazer solidão,
para só então,
me fazer companhia

Marcelo Roque



Dentre Todas as Coisas


Muitas coisas a vida me trouxe,
e outras tantas me levou
E tanto de mim também foi embora,
em tudo aquilo que não durou
E dentre tantas idas e vindas,
sonhos e desencantos;
ficaram apenas os teus olhos,
e esta fortaleza que é o teu corpo
E de tudo que sou,
e já fui um dia,
nada mais me restou, senão,
aquele que te ama,
te busca,
e te encontra,
mesmo onde não estás ...

Marcelo Roque



Despedida

Escrevo versos,
como quem se despede do mundo,
como quem olha pela janela da vida,
pela última vez ...

Marcelo Roque



Mil e Uma Cartas de Amor

Te mandarei mais de mil cartas de amor,
e dentro de cada uma delas,
inventarei outras mil formas de te amar
E te falarei sobre as mil flores que vi nascer,
quando só o que eu ouvia era a tua voz
E contarei sobre os mil desertos que atravessei,
sob mil luas e sóis dilascerantes,
onde meu corpo, então combalido,
nada mais fazia a não ser,
sonhar por mais de mil noites
com o oásis dos teus olhos

Marcelo Roque



Grandezas

Sou do tamanho do mundo
e ainda assim, não me caibo
Talvez, por eu ser imenso,
ou então,
ser o mundo pequeno demais

Marcelo Roque



Pra Dizer Que Te Amo


Eu só quero dizer que tu és,
e serás sempre, o meu amor
E que é para ti que acendo estes meus versos,
queimando cada palavra,
nesta fogueira que se tornou o meu peito
Que é por ti que morro por querer,
e que vivo muito além,
do que até então me permitia viver
E que é por tua causa,
que o meu corpo hoje vive em urgências,
sentindo fome e sede
de coisas que eu já nem sei mais
Dizer, que estes teus olhos,
que nascem em ti,
e findam n'algum céu,
são feitos das mais belas luzes
que estes meus olhos já viram
Que tua boca e teu sexo,
ardem em meu sangue
assim como o Sol arde nas veias da terra
E dizer, principalmente,
que todo este clamor tu me despertas,
que me arregala a alma,
me atormenta e acalma,
faz de mim o que bem sou;
metade poeta,
metade amor ...

Marcelo Roque



Doce Morte

Talvez chegue o dia,
onde finalmente morrerei de amor,
e ainda mais do que já morro
E será esta, de todas as minhas mortes,
a mais derradeira,
a mais almejada por todo poeta
Aquela, que elevará minh'alma aos píncaros dos céus,
acima das estrelas e tempestades,
pousando-a, plenamente,
nas longas asas do tempo,
lugar, onde amanhecidos,
poderão enfim voar livremente os meus sonhos,
para muito além dos conhecidos silêncios,
perdidos, entre os mais loucos devaneios,
rumo, aos confins do amor ...

Marcelo Roque



Além da Rosa

Não haverá nenhum dia,
século ou instante, que não te amarei
Nem mesmo quando secar o sol,
ou tombar a última rosa
Nem quando o tempo deixar de ser tempo,
e o amor, esquecer o teu nome ...
ainda assim te amarei,
te amarei amor,
te amarei ...

Marcelo Roque



Intrinsecamente

Trago-te não apenas em meu coração,
pois, insuficiente torna-se este meu peito diante de ti
Trago-te, ardendo em vida sob minha pele,
viajando pelos fios de meu sangue,
e transbordando, qual suores,
por todos os poros do meu corpo
Trago-te, assim como o dia traz consigo a noite,
como os pássaros trazem os ventos sob suas asas,
e as ondas, todo o peso do mar sobre seus ombros
Trago-te, como se mil vidas eu tivesse,
e mil sonhos nos carregassem,
para as mil casas do amor

Marcelo Roque



Sonhar-te

Sonho-te,
e sonhando-te, desperto-me,
e desperto,
sonho-te ainda mais;
sonhando-te além da vida,
além da morte,
e além do sonho

Marcelo Roque



Espero-te

Amo-te em cada beijo que não te dou,
em cada olhar que perco por sobre as nuvens,
e em cada verso que me escapa por entre os dedos
Amo-te nos gritos do meu silêncio,
nas noites que não têm fim,
e em cada lágrima que teima em não cair
Amo-te nas lembranças que já nem me lembro,
nas cinzas de todas as horas,
e nas dores que irei sentir
Amo-te assim feito um louco,
e feito louco,
busco-te ferozmente em cada palavra,
em cada objeto,
em cada mísero grão de tempo
Amo-te, e por amar-te tanto,
espero-te,
ainda que nunca me ouças chamar,
e ainda que nunca tenhas partido

Marcelo Roque



Iluminai-me

Quando acendes teus olhos sobre mim,
tudo se ilumina;
até mesmo o que não sou ...

Marcelo Roque



Como Envelhecem os Homens

Ele era um homem novo, mas,
de tanto caminhar sobre velhas ruas,
velho,
tornou-se também

Marcelo Roque




Zilda Arns - Quando Vence o Amor

E foram duras as batalhas,
travadas, por vezes,
no árido solo da desesperança
Onde muitos tombaram,
e pereceram,
caídos, às margens da exaustão
Mas sua força não secou,
e sequer fraquejaram os seus pés
E de cabeça erguida
e coração debruçado no peito,
seguiu em sua caminhada
Desenterrando rosas e semeando esperanças,
sonhando sonhos, que não se sonham sozinhos
Fazendo assim ecoar,
muito além dos horizontes visíveis,
o inabalável e vitorioso
canto do amor

Marcelo Roque



Mães da Sé

Ainda embalo seu sono todas as noites,
e acordo, assustada,
em plena madrugada,
quando penso ouvir seu choro
Onde está você, meu filho ?
Em que rua ?
Em que casa ?
Em que sonho ?
Qual estrela pode lhe trazer pra mim ?
Pudera este meu pranto, ao menos,
lhe cobrir do frio
e lhe matar a fome
Onde está você, meu filho ?
Já secaram minhas lágrimas,
já secaram meus sonhos,
secou meu sorriso
e todas as minhas manhãs ...
Só não secou este meu leite,
e nunca secará ...
Onde está você, meu filho ?
Onde ?

Marcelo Roque



A Busca

Vivia eu a procurar por ti
e no então silêncio de meu amor,
imaginar as distâncias que nos separavam
E foram muitas as casas que conheci,
e por onde dias, talvez anos, vaguei,
simplesmente,
em busca de algo que me lembrasse teus olhos
Fortalezas construi
onde protegia com a própria vida
quaisquer vestígios que entendia como teus
E quando perdido em ruas estranhas, ou,
consumido pelo cansaço dos desencontros,
eis que n'algum horizonte, levantava-se tua voz,
recitando-me versos,
que eu haveria de te escrever um dia
E assim, muitos séculos atravessei,
cavando esperanças em cada tempo,
repetindo teu nome sem ao menos sabê-lo,
e buscando-te ainda mais,
quando menos te buscava
E quando teu corpo, em carne,
finalmente postou-se a minha frente,
decretando o que seria o fim, de tão incansável procura;
foi então que pude olhar em teus olhos, e perceber,
que em meio a tantos mares,
montanhas e terras distantes;
era em meu peito que moravas, todo o tempo;
adormecida,
vivendo, pacientemente à espera,
do próprio beijo teu ...

Marcelo Roque